(imagem do Google)
Não há certezas. A minha certeza não é a mesma dos que me rodeiam. Quantas vezes já ouvi afirmar peremptoriamente, “tenho a certeza de que o meu filho é educado!”, quando eu sei, na minha certeza, que “tenho a certeza de que é um miúdo mimado e impertinente.”
Não suporto certezas atiradas ao acaso num universo de dúvidas.
Tive quem me dissesse, em dada ocasião da vida, “tenho a certeza de que a tua mãe vai vencer a doença!” E eu acreditei de tal maneira que me recusei acreditar que não havia nada mais incerto, porque não havia mais nada a fazer.
Sei que não é por mal. Tendemos a afirmar “De certeza que vais conseguir!”, “Tenho a certeza que vai correr tudo pelo melhor!” ou “Tudo vai melhorar!”, “Vais, com toda a certeza, superar essa fase pior da tua vida!” porque gostamos de dizer aquilo que sabemos que os outros vão gostar de ouvir.
Tantas certezas, mas nem Deus tem essas certezas todas, porque o ser humano se vai encarregando de destruir as Suas certezas. Daí os acontecimentos inesperados, a revelia da natureza, as grandes tragédias…
Não há certezas de nada. O mundo é feito de incertezas que nos encaram de frente, de dúvidas que não conseguimos resolver de forma definitiva e de surpresas que irrompem nas nossas vidas sem avisar.
Célia Gil
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