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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Conto infantil - lealdade canina

Célia Gil
Anoiteceu de repente
quando o sol se escondeu
na encosta para sempre
e tudo escureceu.

Os donos da casa fugiram
o pior logo temendo.
Sendo pleno dia sentiram
que algo estava acontecendo.

À luz da vela, pelo meio dia
aos céus ergueram cântico profundo.
Mas, entretanto já a Lurdes dizia
“Ai homem, que é o fim do mundo!”


O cão, logo em grande ansiedade,
não ficou de patas cruzadas,
foi anunciar às éguas a novidade,
deixando-as muito preocupadas.





O cão logo ali reuniu
todos os animais da herdade
e cada um sugeriu
que se descobrisse a verdade.

 
“Anoiteceu porque o sol
quis mais cedo se deitar”
sugeriu o caracol
cansado até de falar.



“O sol resolveu esconder-se
para mais estrelas chocar”
disse a galinha a meter-se
sem saber do que estava a falar.








“Para mim, o sol adoeceu
e está apenas a descansar”
afirmou o papagaio Dirceu
que gosta muito de opinar.

“Eu julgo que ele foi guloso
comeu todas as nuvens doces do céu”,
disse o gato Charmoso
a pensar no irresistível pitéu.

“Não digam tantas parvoíces,
o sol zangou-se e fugiu
porque os humanos lhe dão chatices”
respondeu o cão, enquanto sorriu.

Todos ponderaram no que ele disse
e concordaram prontamente,
mas agora a maior chatice
era trazer o sol novamente.

Logo o burro se ofereceu
para ir buscar um escadote,
subiriam ao céu
e meteriam conversa com o atrevidote.

Assim foi, dito e feito,
entre todos arranjaram
maneira de dar um jeito
e o escadote montaram.

Encostado à velha amendoeira,
tiraram à sorte quem iria,
logo o cão tomou a dianteira
e decidiu que ele seria.

Subiu por entre a escuridão
a escada que parecia não ter fim,
enquanto esperavam, ansiosos, no chão,
que o plano não fosse ruim.

Sorrateiro, lá ia o cão,
passo a passo, pata ante pata,
até deixar de ver o chão
e se dirigir ao cimo da escada.


Num canto, enroscado e infeliz,
numa nuvem o sol estava,
chorava como um petiz
o brilho quase lhe faltava.


No seu discurso eloquente,
o cão conseguiu convencê-lo
a voltar, porque toda a gente
queria voltar a vê-lo.

O sol, envergonhado com a sua atitude,
jurou jamais voltar a desaparecer
quando viu a inquietude
de todos quantos queriam vê-lo.

E os donos da casa orando a Deus,
agradeceram o milagre divino,
ignorando que o mérito não era Seu
mas do seu inteligente canino.

E o cão foi pelos animais aclamado
como o chefe da herdade,
por todos foi nomeado
pela coragem e lealdade.

Célia Gil



terça-feira, 16 de novembro de 2010

Aventuras de um passarinho sonhador

Célia Gil
(imagem do Google)


Certo dia, um passarinho,
tendo caído do ninho,
escondeu-se por detrás dum arbusto
julgando-se forte e robusto.
Decidiu então
viajar pelo mundo,
e, de mansinho,
foi de arbusto em arbusto,
entregue a um sonho profundo.
Encontrou um coelhote
já um pouco entradote
que lhe quis dar abrigo.
Coitado do passarito!
O coelho estava faminto.
Já na toca do coelho,
sentiu-se enclausurado
e resolveu fugir
olhando o coelho para outro lado.
Correu dias a fio,
já se sentia cansado…
Parou junto ao rio
Caiu e ficou molhado.
Por ali passava um cão
esperto, espertalhão,
convidou-o a acompanhá-lo.
Bela quinta o esperava,
não viu o passarinho
que queriam enganá-lo.
Chegados então à quinta,
viu muitos animais
Patos, porcos, vacas,
e outros tantos que tais,
mas não viu sequer pardais.
Logo estranhou o passarinho
quando o rodearam.
Cheirando-o todinho
a ele se atiraram.
Mas de entre a algazarra,
esgueirou-se o pobrezinho,
e enquanto bulhavam,
seguiu ele o seu caminho.
Depois de muito pensar,
decidiu regressar.
Era mesmo o mais prudente,
ficava mais quentinho
dentro do seu ninho.
A mãe o alimentava
e com mimo o tratava.
Só um dia,
sendo uma grande ave,
dali sairia,
pelo mundo viajaria.
De cabeça deitada
sonhava, sonhava…
enquanto a mãe o acarinhava.
                                  Célia Gil

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