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segunda-feira, 19 de março de 2012

Pai

Célia Gil

Onde quer que estejas, pai, sei que me vês, sei que me sorris e guias a minha vida. Aqui deixo os poemas que te escrevi quando adoeceste. Partiste tão jovem, com apenas 49 anos, tendo eu 23 e sinto-o sempre como se fosse hoje.
 

(imagens do google)

Teus olhos tão cansados de existir
poisam nos meus com ternura e carinho,
e na vã aparência de um sorrir,
sofres teus pesadelos tão sozinho!

Uma tragédia desola teu peito,
sonhos, ilusões morrem no teu rosto.
Também é meu esse sonho desfeito.
Também é meu todo o teu desgosto!

Pensa que não estás só, eu estou contigo!
Se quiseres chora em meu colo amigo,
de resto,  incapaz  ante o teu sofrer.

Se pudesse, ouve, tudo faria,
Contigo teu sonho construiria
Assim, só te resta o meu bem-querer!
                                                    Célia Gil
 

Quero gritar ao mundo a minha dor
para assim  aliviar esta tensão,
derramar lágrimas de dissabor
que andam perdidas no meu coração!

Queria ser como Asclépio, feiticeira,
para poder recuperar a vida
e dá-la a quem por ela em vão suplica,
a quem se sente sem eira nem beira.

Assim, resta-me apenas a esperança
ainda que ténue, ainda que vaga,
de poder beijar tua face branca,

ainda que por segundos de angustia.
Erguer os meus grous e flores de astúcia
e libertar-te de tão triste saga.
                                                             Célia Gil
 

É tão doloroso viver sem ti!
No meu peito sinto, apertado, um nó,
e quantas lágrimas por ti verti?!
Agora, meu querido, estou tão só!

Se recordo o passado em que te tinha,
vislumbro a tua imagem já cansada,
a tua dor que também foi minha,
a tua face tão amargurada...

Ah!, poder eu tirar-te à morte fria,
E nos meus braços aquecer teu ser.
Dar vida ao teu corpo que ali jazia,
sangue para em tuas veias correr.

E poder falar-te, acarinhar-te,
contar-te a minha vida, o mundo duro.
Ver-te sorrir, e, sem dores, ouvir-te
dar-me conselhos úteis para o futuro!
                                                    Célia Gil
                                                          

Se, sem dó, me levaste meu pai querido,
leva minh'alma que se t'oferece
Nada em mim mais vive! Só agradece
que recolhas meu ser enlouquecido!

Dói em meu peito o peso das saudades.
Lágrimas de um profundo sentimento,
são vestígios de cruel sofrimento.
É um viver de inúteis ansiedades.

a quem darei o Amor que por Ti sinto?
A minha mão já não aquece a tua,
minhas lágrimas não fazem viver

teu ser por quem sinto carinho infindo.
O meu olhar e minha face nua,
anseia tanto ver-te renascer !
                                                          1993
                                                    Célia Gil



quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Querido Janota

Célia Gil

Nunca esquecerei
um grande amigo que tive
um papagaio que vive
nas memórias com que fiquei.

Janota era o seu nome singelo,
Divertido, amigo, falador
Era um papagaio tão belo
E que nos dava muito amor.


Sempre que um barulho ouvia
“O que é que houve?”- perguntava.
Era uma grande companhia
Dançava quando eu cantava.

Repetia qualquer som
Que ouvia na televisão,
Era também refilão
Mas era um papagaio bom.

Não podia ver passar o queijo
Que logo ele pedia
Encostava o bico e dava um beijo
Sempre que o meu marido queria.


Nunca me esquecerei
Do dia em que fugiu
O quanto rezei
Quando ele partiu.

Pela curiosidade foi vencido
E, no Inverno rigoroso,
Abriu asas ao frio ventoso
E não longe deve ter sucumbido.

E o nosso querido amigo
De cauda vermelha, cinzento,
Nunca mais será esquecido
Lembramo-lo com sofrimento.

(Um grande abraço também ao meu marido que sofreu igualmente muito pela perda deste nosso amigo, há 4 anos!)

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