sábado, 30 de abril de 2011

Azul

Célia Gil

(imagem do Google)

Abro a minha mente

a um vasto mar azul.

Pinto a frescura que sai do céu

e se dilui no mar

e sinto-me em paz comigo.

Bebo a inspiração que me toca

com a magia do azul

e sinto as ideias fluírem

numa profusão de palavras

que exteriorizo

com clareza intuitiva.

A azul pinto a lealdade,

a sabedoria, a confiança,

a inteligência, a verdade,

a eternidade e a confiança.

Pinto a vastidão de céu,

a fé que bebo em Deus,

a plena vivência de tudo

e a procura da perfeição.

A azul mato a sede mental,

bebendo um refrescante

copo de inspiração.
                           Célia Gil

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Esboço a minha cara metade

Célia Gil

(imagem do Google)

Com um lápis esboço

o teu rosto no papel.

Com traços precisos

entrego-me aos contornos

do teu rosto na folha em branco.

Perco horas infindas nos teus olhos,

chegando a vê-los contemplarem-me,

vivos, brilhantes, expressivos,

assim me olham.

Contorno o teu nariz,

que beijo com a ponta do lápis.

Detenho-me nos lábios,

onde esboço um sorriso,

e, devagarinho,

acaricio-os com o lápis

até terem a textura

que eu quero sugar.

Acabo o teu retrato

e sinto-me plena,

como só o teu esboço

me faz sentir,

minha cara-metade!
                            Célia Gil

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Encontro de corações solitários

Célia Gil

(imagem do Google)

Escondi a minha solidão
dentro de um peito apertadinho
e sorri, ainda que contrafeita
por não saber o meu futuro,
o meu destino.
A minha solidão encolhida,
ficou perdida dentro de mim,
mas depressa se fartou
de ser ignorada.
Quis ganhar espaço.
Foi-se apossando do meu peito,
tomou conta do coração,
subiu ao cérebro
e caiu como lágrima
no canto de um olho triste.
Deixei de conseguir escondê-la,
era demasiado evidente,
ela impunha-se ao meu fingimento.
Mas houve um dia em que
a minha solidão
se cruzou com a tua.
Também ela se tinha apoderado de ti
e também tu tinhas olhos tristes
e lágrimas ao canto dos olhos.
As duas solidões se juntaram,
uniram forças entre si,
tranquilas, se quedaram,
esqueceram-se de nós,
e quando ficámos a sós
vencemos a solidão,
unimos os nossos fios soltos
em apertados nós,
demos a mão
e caminhámos rumo ao futuro,
na mesma direção...
                                 Célia Gil

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Verde

Célia Gil

(imagem do Google)

Com suavidade, embebo o pincel
em vários tons de verde.
Começo pelos montes
que se estendem numa planície verdejante,
onde se aconchegam os pássaros
à procura de flores para beijar.
As árvores erguem ramos frondosos
que se estendem para se deixarem abraçar
pelos quentes raios de sol.
O musgo enfeita a pedra nua,
cobrindo-a com o seu manto de vida.
Quase sinto a brisa sobre a pintura
trazendo o aroma da verdura.
Um leve tremor do corpo
vem da frescura dos arbustos
que contornam o rio que flui.
Tudo é vida e magnitude
e a minha alma sorri,
verde de esperança.
                            Célia Gil

terça-feira, 26 de abril de 2011

Equívocos

Célia Gil

(imagem do Google)

A vida é feita de equívocos,
alguns que assumem grandes proporções.
Há equívocos inocentes
fruto da distracção.
Esses ultrapassam-se
não deixando marcas.
Há equívocos maquiavélicos
de alguém que, premeditadamente,
engendra, como por malabarismo,
poções mágicas de discórdia.
Esses deixam gravado
na nossa memória
o sabor a fel.
Destilam nas nossas vidas
amargos de boca,
lágrimas que salgam o coração,
nós impenetráveis na garganta,
contracções dos músculos,
respiração ansiosa.
Esses equívocos povoam de névoa
o céu azul do nosso olhar,
mudam o rumo à nossa vida,
deixando setas de falsas indicações
que seguimos sem questionar.
Maculam o nosso ser puro
tornando-o desconfiado…
Equívocos são também
barreiras a ultrapassar,
obstáculos a enfrentar,
uma forma de crescer
e aprender a viver.
A vida é, muitas vezes, ela própria
o nosso maior equívoco.
                                    Célia Gil

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Vermelho

Célia Gil

(imagem do Google)

A vermelho pinto o sangue

derramado em guerras inúteis,

o erro destacado.

Pinto também a paixão,

a chama que acalenta,

o desejo que devora o coração.

Pinto os elos de ligação

entre as artérias da vida,

pinto um campo de papoilas

nos montes primaveris.

Pinto as cerejas maduras

no início do Verão.

Pinto o vestido sensual,

que arrasa um coração.

Pinto a força e a coragem

dos cravos da revolução.
                                  Célia Gil

Coprights @ 2017, Histórias Soltas Presas Dentro de Mim Designed By Templatein | Histórias Soltas Presas Dentro de Mim