segunda-feira, 6 de junho de 2011

Dias vadios

Célia Gil




Dias vadios são aqueles dias
em que nada espero de mim,
nada peço, nada exijo.

E tem dias que preciso deles,
de dormir de cabeça vazia
de preocupações…
Fechar os olhos e ignorar
o rumo que o mundo toma.
Viajar no meu mundo interior
a campos de flores perfumados.
Ouvir uma boa música
e deixá-la a ecoar na alma.
Ver ou rever um filme marcante
sem pensar nas horas e afazeres.

Ah, como eu queria dias vadios!
Vagabundamente vadios…
Como preciso desses dias!
Dias só para mim!
                               Célia Gil


domingo, 5 de junho de 2011

Reflexão

Célia Gil


Chega uma altura na vida
em que se olha para trás
e se pondera…
Pondera-se o tempo vivido,
longo caminho percorrido…
Duros acontecimentos
que nos fizeram amadurecer.
Épocas áureas
cheias do brilho das saudades.
E esse passado
deixa de ser aquele que vivemos,
porque a memória trai
e a saudade tudo ficciona.
Quem me dera voltar
aos meus melhores momentos,
frui-los-ia segundo a segundo
sabendo-os irrepetíveis.
Até os piores momentos
seriam suportados
com outra maturidade.
O futuro é uma névoa
feita de desejos e aspirações.
                                  Célia Gil

sábado, 4 de junho de 2011

Sentimentos desencontrados

Célia Gil

Em meu redor
há uma imensidão de gente…
Uma vasta imensidão de sentimentos…

Tristezas mergulhadas
em olhos-barragens estancadas,
alegrias estampadas
em rostos corados de felicidade,
dúvidas angustiadas
em corações a pulsar ao pé da boca,
paixões extasiadas
saindo em palavras-corações,
balões de amor de algodão doce
a saber ao mel das vibrações,
cansaços de vidas vazias
sem metas para alcançar…

Tantos sentimentos dispersos
em objetivos individuais,
caminhando desencontrados…
                                  Célia Gil

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Tristeza

Célia Gil



A tristeza
é uma casa vazia
de sentimentos
e de memórias.
É uma janela fechada
poeirenta e empenada.
Cheira a mofo,
à naftalina das ausências.
É um adeus à chegada,
uma meta esquecida,
o que resta do nada.
É uma estrada por galgar,
um passo atrás
no caminho da esperança.
É não saber amar
por não ter amor para dar.
É a derrota sem aposta,
é o fracasso sem luta,
é a queda antes de se levantar.

A tristeza
é o fado por cantar,
a lágrima por cair,
o sorriso por libertar.

É um modo de se anular.
                        Célia Gil

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Solidão

Célia Gil

(imagem do Google)



Caminho de mãos dadas com a solidão,
com ela me procuro sem me encontrar,
é ela que, quando caio, me dá a mão,
me ergue e me faz continuar.

Andamos, por aí, a passear,
sem rumo certo ou direção…
Mas só a solidão me deixa raciocinar
e não perder de todo a razão.

Quantas vezes me repreende sem dó,
me dá um tabefe bem merecido,
me abana e ameaça deixar só,
quando tenho um ato irrefletido!

Minha solidão!

                                 Célia Gil

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Quando escrevo

Célia Gil


Quando escrevo
as palavras ganham vida,
tornam-se sentimentalmente humanas.
Choram sentidamente
a dor d’alma.
Riem despropositadamente
qual crianças inconsequentes
quando excessivamente inocentes.
Gritam desesperadamente
face à incompreensão e à injustiça.
Gracejam inadvertidamente
quando transbordam de felicidade
sem nuvens no horizonte.

Quando escrevo
sou aquilo que escrevo!
                          Célia Gil

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