Não quero palavras gastas. Dizeres-me que me amas é demasiado banal para expressares o que dizes sentir. Dizeres-me que me desejas era mencionares o óbvio, o que os meus olhos veem e os meus dedos sentem. Quero antes a palavra mágica, capaz de se libertar da folha de papel para me dar um beijo na ponta do nariz. Quero uma palavra única, que me sussurre ao ouvido e depois se esvaia por entre os arbustos, libertando sementes de esperança, de fé, de confiança. Quero uma palavra que me abra o primeiro botão da blusa e se aloje no meu colo para sempre. Quero uma palavra que me espere todos os dias ao fundo da rua e me envolva numa onda de aconchego no meu regresso a casa. Quero uma palavra que me arrepie a nuca, me faça tremer de prazer, mas que infunda confiança, respeito e admiração. Mas as palavras, como tu tão bem sabes, leva-as o vento, deixando apenas a sua ausência em crateras de distância e estrepitosos abismos (des)humanos. E as palavras gastas nada dizem, são ocas e sem essência, bolas de neve vazias, balões efémeros que sobrevoam os nossos ouvidos, mas que passam em direcção ao nada. Sem mais me despeço e te peço: responde-me apenas se tiveres descoberto a palavra mágica que quero ouvir e partilhar contigo.
Irmã, chora a dor que nos consome, o deserto árido das nossas almas, que eu olharei em frente… Eu não tenho tempo para chorar, sou aquele pilar que não pode vergar, sou a tua e a minha força. E a vida que para nós acabou, que nos deixou ao abandono, espreita-nos novamente lá à frente. Não será a mesma, teremos sempre olhos tristes de solidão, gemidos de dor guardados na garganta. Mas a vida continua e lá à frente há um futuro que nos espera. Caminharemos juntas até onde o destino nos permitir, minha irmã na dor.
Contemplo a figura no retrato: uma bela rapariga, flor no meio de um campo de flores. Flor que se destaca pela graciosidade das cores que vestem o seu corpo, pela suavidade e paz com que sorri às outras flores. Parece um quadro perfeito. Talvez…À primeira vista… Mas por detrás dos olhos há cansaços, há solidão e tristeza. O sorriso esconde a mágoa e a desilusão. Mas eu vejo, eu entendo! E lamento profundamente que esta flor esteja a murchar por dentro! Célia Gil
Conta-me histórias, meu vento do Norte, Histórias de amor que me façam sonhar, Histórias de amor sem guerras e sem morte Daquelas que permitem divagar.
Conta-me histórias, minha brisa sul, Histórias de heróis que conquistaram mundos, Histórias de heróis donos do mar azul, Dos que desvendaram segredos profundos.
Conta-me histórias, vento que me embalas Até adormecer, aconchegada, Ouvirei todas as histórias que falas.
Serei no meu sonho princesa amada Em histórias que tão bem sei que tu calas, Serei até capitã afamada. Célia Gil