quinta-feira, 30 de junho de 2011

Memórias soltas

Célia Gil

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O amor que eu quero

Célia Gil
(imagem do Google)

Carta ficcional
                                                                                                                  Paris, 14 de Fevereiro de 1980


Meu querido,

Não quero palavras gastas.
Dizeres-me que me amas é demasiado banal para expressares o que dizes sentir.
Dizeres-me que me desejas era mencionares o óbvio, o que os meus olhos veem e os meus dedos sentem.
Quero antes a palavra mágica, capaz de se libertar da folha de papel para me dar um beijo na ponta do nariz.
Quero uma palavra única, que me sussurre ao ouvido e depois se esvaia por entre os arbustos, libertando sementes de esperança, de fé, de confiança.
Quero uma palavra que me abra o primeiro botão da blusa e se aloje no meu colo para sempre.
Quero uma palavra que me espere todos os dias ao fundo da rua e me envolva numa onda de aconchego no meu regresso a casa.
Quero uma palavra que me arrepie a nuca, me faça tremer de prazer, mas que infunda confiança, respeito e admiração.
Mas as palavras, como tu tão bem sabes, leva-as o vento, deixando apenas a sua ausência em crateras de distância e estrepitosos abismos (des)humanos.
E as palavras gastas nada dizem, são ocas e sem essência, bolas de neve vazias, balões efémeros que sobrevoam os nossos ouvidos, mas que passam em direcção ao nada.
Sem mais me despeço e te peço: responde-me apenas se tiveres descoberto a palavra mágica que quero ouvir e partilhar contigo.

                                                                                                                                           Com amor,
                                                                                                                                   A tua mais que tudo


Célia Gil


terça-feira, 28 de junho de 2011

Irmã na dor

Célia Gil
(imagem do Google)

Irmã,
chora a dor que nos consome,
o deserto árido das nossas almas,
que eu olharei em frente…
Eu não tenho tempo para chorar,
sou aquele pilar que não pode vergar,
sou a tua e a minha força.
E a vida que para nós acabou,
que nos deixou ao abandono,
espreita-nos novamente lá à frente.
Não será a mesma,
teremos sempre olhos tristes de solidão,
gemidos de dor guardados na garganta.
Mas a vida continua e lá à frente
há um futuro que nos espera.
Caminharemos juntas
até onde o destino nos permitir,
minha irmã na dor.

                                         Célia Gil


domingo, 26 de junho de 2011

Por detrás do retrato

Célia Gil

(imagem do Google)

Contemplo a figura no retrato:
uma bela rapariga, flor
no meio de um campo de flores.
Flor que se destaca
pela graciosidade das cores
que vestem o seu corpo,
pela suavidade e paz
com que sorri
às outras flores.
Parece um quadro perfeito.
Talvez…À primeira vista…
Mas por detrás dos olhos há cansaços,
há solidão e tristeza.
O sorriso esconde
a mágoa e a desilusão.
Mas eu vejo, eu entendo!
E lamento profundamente
que esta flor
esteja a murchar por dentro!
                                   Célia Gil

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Histórias do vento

Célia Gil

(imagem do Google)

Conta-me histórias, meu vento do Norte,
Histórias de amor que me façam sonhar,
Histórias de amor sem guerras e sem morte
Daquelas que permitem divagar.

Conta-me histórias, minha brisa sul,
Histórias de heróis que conquistaram mundos,
Histórias de heróis donos do mar azul,
Dos que desvendaram segredos profundos.

Conta-me histórias, vento que me embalas
Até adormecer, aconchegada,
Ouvirei todas as histórias que falas.

Serei no meu sonho princesa amada
Em histórias que tão bem sei que tu calas,
Serei até capitã afamada.
                                                Célia Gil

terça-feira, 21 de junho de 2011

S. João do Porto (quadras de amor ao gosto popular)

Célia Gil

E porque estamos perto de festejar o S. João no Porto, aqui vão algumas quadras ao gosto popular, que
fazem lembrar as que colocam nos manjericos e um vídeo sobre o Porto e a festa de S. João no Porto:


(imagem do Google)

Se um dia o teu sossego
for abalado por um tornado,
acredita, não tenhas medo,
é porque estás apaixonado!

Se o sol acordar mais brilhante
e a vida te sorrir estranhamente,
saberás, nesse mesmo instante,
que amas perdidamente.

Se o mundo te parecer mais risonho
e esqueceres o que é a solidão,
acredita, não é um sonho,
é uma forte e intensa paixão.

Se a flor as pétalas abrir,
para melhor a contemplares,
acredita, podes sorrir
e ao amor te entregares.

O amor quando é verdadeiro,
é um amor para sempre,
não tem medo ou receio
ama eternamente.

Quando um dia, ao teu olhar
o sol parecer mais brilhante,
é o amor a despontar
nesse preciso instante.

Este manjerico cheira bem,
oferece-o à tua amada,
mas não digas a ninguém
que ela fica envergonhada.

Põe um sorriso na cara,
vem para a rua brincar,
que o amor é coisa rara
que estás prestes a encontrar.

                               Célia Gil









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