quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O segredo

Célia Gil

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(imagem do google)


Sinto a brisa marítima
tocar-me as faces, ao de leve,
como uma suave carícia,
uma carícia envolvente.
Escuto-lhe o seu segredo,
o mais íntimo,
aquele segredo só seu.
Sou a pessoa mais feliz à face da terra
sou a eleita nesta partilha íntima.
E o segredo repete-se nos meus ouvidos,
como eco que me embala
nas minhas ilusões.
Deito-me na areia ainda quente do sol,
e dormito nos meus sonhos,
aspirando a brisa
para a prender em mim
e levá-la comigo onde quer que vá.
Sorrio neste estado de semi consciência,
Sinto-me a transbordar de tranquilidade,
Alheio-me de todos os ruídos humanos,
Quero esta tranquilidade só para mim.
Envolvo-me num abraço forte
e, nesse momento, sou só eu,
o mar, a brisa, o aroma da brisa,
… O segredo. 
                                            Célia Gil

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Há momentos

Célia Gil

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Há momentos em que uma força poderosa
Mágica e secreta
Nos empurra para a escrita.
Sossegar emoções?
Acalmar o desassossegado coração?
Deixar fluir a alma?
Não há explicação.
Só sei que
Há momentos.
Daqueles que não esmorecem
Que nos impulsionam
Arremetendo de um intenso formigueiro
A mão que escreve
O cérebro que fervilha.
E então é com a pulsação acelerada,
A alma inflamada
Que me espraio nas folhas em branco
Que me enlaço nas palavras
Me quebranto
Me deixo envolver pela força
Dos sentimentos
E tudo porque…
Há momentos!
                     Célia Gil

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Não sou um exemplo

Célia Gil

(imagem do Google)


Quem sou eu para te aconselhar?
Eu, que não tenho sido o exemplo,
que tenho errado sem cessar,
que me acobardo e me lamento?

Quem sou eu para te dar lições de vida?
Eu, que me resigno sem me lamentar,
que não passo de uma fugitiva sem guarida,
que se deixa enganar, espezinhar?

Quem sou eu para te dizer o caminho a seguir?
Eu, que nem conheço o rumo da minha vida,
que passo a vida a ignorar o meu sentir,
e me questiono nas encruzilhadas, perdida?

De uma vez por todas, mentaliza-te!
Não sou boa conselheira!
Traça os teus próprios passos na areia da vida
E vive a vida à tua maneira!
                                 Célia Gil


domingo, 30 de outubro de 2011

Pátria morta

Célia Gil
(imagem do Google)


Quando penso no meu querido País,
relembro passados vitoriosos,
heróis com grandes feitos gloriosos,
construíram uma Pátria feliz.

Orgulho retratado n'Os Lusíadas
pelo grandioso poeta Camões,
qual a Nação escolhida que elegias
p'ra enaltecer a maior das Nações.

Os nossos heróis caíram por terra,
rendidos numa nação sem esperança,
personagens de quem já nada espera.

Tão somente o desespero e a derrota
que levam ao crime e insegurança,
deixando apenas uma pátria morta!
                                          Célia Gil


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

súplica

Célia Gil

(imagem do Google)


Poeta,
sonhador inconsequente
em busca de ilusões
que aliviem a realidade sofrida.

Foge, Poeta, foge!
Isola-te nessa página secreta.
Arma silenciosa, só tua
guardada na gaveta.

Se a folha de papel
é o mar onde afogas as mágoas,
é o mar onde te libertas,
mergulha, poeta
nessas páginas submersas
e limpa a alma da realidade,
purifica-te da dor e da crueldade.

Mas, Poeta…
Não sejas egoísta!
Deixa-nos entrar no teu mundo,
mergulhar contigo
nessas ondas grafemáticas.

Purifica-nos a nós
que confiamos em ti,
que queremos beber um pouco
dos teus sonhos e ilusões,
respirar as palavras
sensíveis e repletas de emoções.

Poeta,
suplicamos-te um pouco de ti,
tão pouco!...
Mas o suficiente para se ser mais feliz.

                                                  Célia Gil

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Chuva milagrosa

Célia Gil


(imagem do Google)

A natureza bebe insaciavelmente
da chuva que cai.
Depois de dias e dias de sede,
sequiosa,
ansiosa
por uma gota que fosse,
abre os braços e abraça
as grossas gotas de chuva
que caem no seu seio.
E agradece
numa profusão de verde,
num leve agitar de folhas
que sacodem a água
ao sabor do vento
que passa para lhes contar
histórias de encantar.
Algumas perdem as folhas velhas,
pois sabem
que novas virão
com o raiar do sol
da primavera.
É uma cura de beleza
uma esfoliação
que as deixará como novas.
Agora, limitam-se a beber
olhando o céu
e agradecendo a Deus
a divina água
que as traz de novo à vida.
                          Célia Gil

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