sábado, 26 de novembro de 2011

O meu sonho, planta que germina

Célia Gil


(imagem do google)
(reedição)

O meu sonho está povoado
de sementes de esperança.
Pequenas sementes que germinam
ainda antes de serem plantadas.
Estendem-se raízes na minha mente,
que alimentam as minhas ilusões
e seguram o meu ser à vida.
Das raízes se destaca o caule,
suporte das minhas emoções,
repleto de seiva que edifica.
As folhas são ramificações
de sonhos e ilusões,
oxigénio que me alimenta.
A esperança reproduz-se
através de belas flores
perfumadas e de todas as cores,
das quais renascerá sempre a esperança,
que alimenta o meu sonho.
E quando o sonho dá frutos,
sinto-me preenchida,
protegida…
guardo a semente do sonho,
a semente da esperança,
protegendo-os graciosamente
porque, amanhã
precisarei dessa bonança
guardada na mente,
feita de fé e perseverança!
                                    Célia Gil

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Um bolo comido, um poema lido!

Célia Gil


                                                      (imagens do google)
(reedição)

Queria fazer um poema como faço um bolo,
juntar lentamente todos os ingredientes.
Começar pelas gemas de ovos na folha em branco,
juntar açúcar para o adocicar,
com manteiga, ligar as palavras,
encorpá-las com farinha,
fazê-las crescer com fermento,
tornar as claras em castelo de ilusões,
misturar tudo com gestos precisos
até ligar tudo plenamente, de forma envolvente,
colocá-lo em forma de papel,
deixá-la no forno até cozinhar as ideias,
em lume brando palavras meigas.
Desenformar e ver o resultado
desta confeção de palavras.
Abrilhantá-lo com o toque especial de natas.
No topo do bolo, na capa do livro
o título seria a cereja.
Então estava pronto a servir aos meus leitores,
que se deliciariam com o paladar das letras,
a consistência da mensagem,
a maciez das imagens,
a leveza das metáforas,
a humidade das hipérboles.
Seria devorado até ao fim.
Não restaria nada.
Um bolo comido, um poema lido!
                                                          Célia Gil



terça-feira, 22 de novembro de 2011

Pensamentos divergentes

Célia Gil



(imagem do google)

O sujeito poético que há em mim
Gosta de, por momentos, divagar,
Não sei mesmo onde se vai inspirar
Para me surpreender tanto assim.

Foge e esconde-se em recantos sem fim
Esvai-se sem que o consiga apanhar,
E quando persisto em o encontrar
Pergunta-me o que faço e porque vim.

Transfigura-se em seres tão diferentes…
Não sei se é de propósito ou despeito,
Deixa os meus sentimentos dele ausentes.

Não sei mesmo se é sina ou se é defeito
Que o leva a sentimentos divergentes,
Destes que latejam só no meu peito.
                                                          Célia Gil

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Vencer as torrentes da vida

Célia Gil

(imagem do google)

No horizonte
nuvens grávidas de água
adentram pelos meus olhos
e apoderam-se de todo o meu ser.

Sufocam palavras
que estrangulam na garganta,
não chegando a desenhar sentidos
nas ondas auditivas da vida.

E todo o meu ser
é invadido por rios que não desaguam,
imponentes e revoltas,
presas de água presa…

E é aquela palavra, aquele gesto,
naquele preciso momento,
que libertam a pedrinha que sustentava a presa,
deixando jorrar em impulsos vitais,
qual no nascimento de uma criança,
torrentes de água infinda.

No fim, a calma,
a paz recuperada,
as palavras voltam
para desenhar
novas ondas de vida
no horizonte…
                              Célia Gil

sábado, 19 de novembro de 2011

O amor nunca existiu

Célia Gil

(imagem do google)

No dia em que passares
sem que eu me vire para te olhar,
é motivo para pensares,
que deixei de te amar.

É que o olhar indiferente
dói mais que uma bofetada;
é desprezo de um ser ausente,
é não sentir absolutamente mais nada.

E se mais nada sinto,
pensa bem no que passou,
não era amor, não minto,
a paixão que nos enlaçou.

Tu feriste, espezinhaste,
com tamanha dimensão,
que contigo levaste
o meu triste coração.

Neste momento ficou vazio
das emoções que senti,
ficou duro, só e frio,
sem nada do que vivi.

E se o que vivi é nada,
nada agora e para sempre,
é porque para a alma despedaçada,
tornou-se tudo indiferente.

E se um dia te atreveres
a bater de novo à porta,
crê: é melhor esqueceres,
o amor nunca existiu
e a saudade é ela morta,
porque o nosso amor ruiu.
                                        Célia Gil

(Nem sempre expressamos o que sentimos e, neste caso por exemplo, o meu eu poético cria o que, felizmente, não sinto, mas que sei que muitos sentem! Nunca esquecer que, como dizia Fernando Pessoa, "O poeta é um fingidor")

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Contrastes da vida

Célia Gil

(imagem do google)

Temos dias em que tudo é belo,
o mundo gira à nossa volta,
somos heróis, deuses em vitória.
Enfrentamos com sapiência
todas as provações da vida
e erguemos a taça da nossa glória,
com o dom da eloquência,
a mais uma batalha vencida.
O ego cresce e se eleva tanto,
agiganta-se e nos torna vaidosos,
qual narciso em grande espanto
mirando-se nas águas cobiçosas.

Mas chega o dia em que acaba,
tudo se esvai de um para outro momento.
Os heróis não vencem mais nada
e os deuses aprisionaram-se num monumento.
A nossa sapiência é posta à prova
e em vez da celebração,
descobrimos que esta vida nova
só nos traz humilhação.
E o ego, escondido a um canto,
fica pequeno, franzino,
e nos deixa em quebranto,
ignorantes do nosso destino.
E narciso, belo e perfumado,
acaba por descobrir
que é um ser mal amado
e que as águas espelhadas apenas sabem mentir.

                                                                           Célia Gil

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