terça-feira, 29 de novembro de 2011

Efemeridade

Célia Gil
(imagem do google)

Um dia não mais estarei cá
para sonhar,
para sorrir,
para chatear,
para me divertir...
Um dia não mais estarei cá!
E esta ideia da humana efemeridade
invade-me semeando a nostalgia,
antecipando a saudade.
O que somos? Para quê tanto esforço?
O que levamos desta vida?
Para quê lutar sem parar,
trabalhar, trabalhar, trabalhar?
Se eu sou tão pouco,
se sou um pequeno grão de areia
na vastidão do universo...
Se serei lembrada, se for,
apenas no dia do meu aniversário
e no dia da minha morte?
Assim é a nossa sorte
que tem o tempo como adversário.
Para quê criar quezílias,
perder tempo em discussões
e esconder emoções?
Um dia não mais estarei cá,
pagarei ao barqueiro
para atravessar para o lado de lá.
Por isso vou viver o melhor que puder,
o melhor que souber
sem me angustiar
com o que tem forçosamente
de passar...
                                    Célia Gil

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Passeio em busca de cogumelos

Célia Gil
O passeio começou ao início da tarde, logo após o almoço. Fomos até uma montanha repleta de sobreiros, pinheiros e outras árvores frondosas. Mais ou menos como esta:
Avistamos o "bosque prometido" e enche-nos o coração o desejo de descoberta.
A sombra dos medronheiros salpica o céu e o chão de pequenos frutos vermelhos suculentos e doces, parecendo confeites espalhados ao acaso pelas árvores e pelo chão, sobre as folhas de várias cores do outono que cai aos nossos pés. 
Silvas, gilbardeiras, carquejas e outras plantas mais agrestes oferecem resistência à invasão, tentando demover-nos do nosso intento.
Passamos um riacho, posicionando bem os pés nas pedras que nos permitiam atravessá-lo.
À nossa frente frondosos sobreiros oferecem abrigo aos cogumelos deliciosos que fomos apanhar. E lá estão eles, camuflados para se confundirem com as folhas.
Uns grandes como este, outros pequenos, mas todos magníficos! Encontramos também raivacas, de consistência mais durinha, mas igualmente deliciosas:
Debaixo dos pinheiros começaram a nascer os míscaros:
E os baldes vão enchendo destes maravilhosos e suculentos prodígios da natureza, que com eles nos congratula!
E os meus olhos devoram a paisagem de tal maneira que até me esqueço, por momentos, dos cogumelos, envolvida que estou com as cores e aromas campestres que me conferem forças extra para subir a montanha qual cabrito montanhês. 
O sol apenas espreita por pequenas nesgas de árvores frondosas. Cheira a verde, a musgo, a frades, a água da ribeira, a flores silvestres e todo este aroma me enternece e me delicia os sentidos bem despertos.
E enquanto a maioria das pessoas se diverte pelas grandes superfícies  nos seus passeios dominicais que, de tão habituais, perderam o interesse, nós passeamos pelos montes, absorvendo energias suplementares para uma semana de trabalho. E, com as mãos sujas de terra, o rosto corado pelo esforço, o sorriso é mais amplo e os olhos adquirem um brilho maior. 
Chegados a casa, é hora de pôr mãos à obra e arranjar os cogumelos, raspá-los, lavá-los bem e confecioná-los. Gosto particularmente deles com arroz ou ovos mexidos! 

 Um passeio delicioso!




sábado, 26 de novembro de 2011

O meu sonho, planta que germina

Célia Gil


(imagem do google)
(reedição)

O meu sonho está povoado
de sementes de esperança.
Pequenas sementes que germinam
ainda antes de serem plantadas.
Estendem-se raízes na minha mente,
que alimentam as minhas ilusões
e seguram o meu ser à vida.
Das raízes se destaca o caule,
suporte das minhas emoções,
repleto de seiva que edifica.
As folhas são ramificações
de sonhos e ilusões,
oxigénio que me alimenta.
A esperança reproduz-se
através de belas flores
perfumadas e de todas as cores,
das quais renascerá sempre a esperança,
que alimenta o meu sonho.
E quando o sonho dá frutos,
sinto-me preenchida,
protegida…
guardo a semente do sonho,
a semente da esperança,
protegendo-os graciosamente
porque, amanhã
precisarei dessa bonança
guardada na mente,
feita de fé e perseverança!
                                    Célia Gil

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Um bolo comido, um poema lido!

Célia Gil


                                                      (imagens do google)
(reedição)

Queria fazer um poema como faço um bolo,
juntar lentamente todos os ingredientes.
Começar pelas gemas de ovos na folha em branco,
juntar açúcar para o adocicar,
com manteiga, ligar as palavras,
encorpá-las com farinha,
fazê-las crescer com fermento,
tornar as claras em castelo de ilusões,
misturar tudo com gestos precisos
até ligar tudo plenamente, de forma envolvente,
colocá-lo em forma de papel,
deixá-la no forno até cozinhar as ideias,
em lume brando palavras meigas.
Desenformar e ver o resultado
desta confeção de palavras.
Abrilhantá-lo com o toque especial de natas.
No topo do bolo, na capa do livro
o título seria a cereja.
Então estava pronto a servir aos meus leitores,
que se deliciariam com o paladar das letras,
a consistência da mensagem,
a maciez das imagens,
a leveza das metáforas,
a humidade das hipérboles.
Seria devorado até ao fim.
Não restaria nada.
Um bolo comido, um poema lido!
                                                          Célia Gil



terça-feira, 22 de novembro de 2011

Pensamentos divergentes

Célia Gil



(imagem do google)

O sujeito poético que há em mim
Gosta de, por momentos, divagar,
Não sei mesmo onde se vai inspirar
Para me surpreender tanto assim.

Foge e esconde-se em recantos sem fim
Esvai-se sem que o consiga apanhar,
E quando persisto em o encontrar
Pergunta-me o que faço e porque vim.

Transfigura-se em seres tão diferentes…
Não sei se é de propósito ou despeito,
Deixa os meus sentimentos dele ausentes.

Não sei mesmo se é sina ou se é defeito
Que o leva a sentimentos divergentes,
Destes que latejam só no meu peito.
                                                          Célia Gil

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Vencer as torrentes da vida

Célia Gil

(imagem do google)

No horizonte
nuvens grávidas de água
adentram pelos meus olhos
e apoderam-se de todo o meu ser.

Sufocam palavras
que estrangulam na garganta,
não chegando a desenhar sentidos
nas ondas auditivas da vida.

E todo o meu ser
é invadido por rios que não desaguam,
imponentes e revoltas,
presas de água presa…

E é aquela palavra, aquele gesto,
naquele preciso momento,
que libertam a pedrinha que sustentava a presa,
deixando jorrar em impulsos vitais,
qual no nascimento de uma criança,
torrentes de água infinda.

No fim, a calma,
a paz recuperada,
as palavras voltam
para desenhar
novas ondas de vida
no horizonte…
                              Célia Gil

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