(imagem do google)
Símbolo de amor e de paz.
Natal, como o nome indica,
é o nosso Lar, o que acolhe.
Mas, de ano para ano,
o sinto mais ausente,
qual vã miragem.
Corro em seu encalço,
suplico-lhe paz, amor e felicidade,
trabalho, segurança e saúde,
fé, otimismo e perseverança.
E o que me traz?
Um mundo às avessas,
que nos vira as costas,
que oprime, subjuga e explora
e não reconhece os que laboram.
Que corta as asas ao otimismo,
e deixa a fé de rastos.
Que, com a miséria, leva a paz,
semeando a discórdia.
Arre!
Que é do mundo com que sonhei?
Que é das ilusões de menina?
Que é da vida que prometeste, Pai?
Que é do mundo? Que é de mim?
A criança que fui chora na calçada,
os sonhos cortaram o cordel e voaram,
as ilusões tenho-as afogado em lágrimas.
A vida atinge o auge do desespero,
o mundo procura-se sem se encontrar,
e eu sou apenas uma ínfima partícula
desta destruição consumada.
Onde estás, Pai Natal?
Que não tens ouvido os meus pedidos,
não tens respondido às minhas cartas.
Quando vejo a meia na chaminé,
sempre com uma esperança renovada,
viro-a do avesso, mas não encontro nada.
E a esperança esmorece,
dando lugar à desilusão.
Ainda assim, quero continuar a acreditar
que um dia, bem no fundo da meia,
tirarei um pequeno caracol da criança que fui,
um novo cordel para não deixar fugir os sonhos,
um sorriso que me seque as lágrimas,
um Tratado de Paz para o mundo,
um botãozinho mágico de saúde.
Aí ficarei feliz,
para sempre, como nos contos de fadas,
e voltarei a acreditar
na magia do Natal!
Célia Gil