quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Fado português

Célia Gil
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(imagem do google)



Hoje ousei escrever a letra para um fado! E digo ousei, porquanto penso que seja uma tarefa extremamente difícil. Então, aqui a deixo em homenagem aos nossos grandes fadistas que tornaram o fado em Património da Humanidade.
O nosso fado é triste
E rasa os olhos de água
A todo o bem resiste
E vive da sua mágoa.
A todo o bem resiste
E vive da sua mágoa.

Este fado português
Sofre em silêncio, calado
Este fado que tu vês
É um fado malfadado.
Este fado que tu vês
É um fado malfadado.

E quando a tristeza chora
Mais triste o homem fica
Que até a alegria ignora
Quando o amor lhe suplica.
Que até a alegria ignora
Quando o amor lhe suplica.

Fado que me consomes
Dia e noite sem parar
Não me deixas nem te somes
Alma sempre a atormentar.
Não me deixas nem te somes
Alma sempre a atormentar.

Vai-te fado malfadado
Deixa a alegria entrar
Não feches a porta, ó fado
A felicidade está a chegar.
Não feches a porta, ó fado
A felicidade está a chegar.
                                   Célia Gil
E, por fim, um fado que aprecio muito:


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Os sons da minha vida

Célia Gil
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(imagem do google)
Há sons que nos preenchem
que iluminam a nossa vida.
Os sons da natureza
em ventos uivantes
ou leves brisas que nos fazem estremecer,
em chuvas torrenciais
ou caindo em pingas cadenciadas,
em cantos de aves
que nos vêm dar os bons dias.
Os sons do amor
na gargalhada inocente dos filhos,
nas suas zangas e birras,
nos seus beijos repenicados;
na porta que abre
quando chegas, meu amor!
Nas palavras que sussurras
aos ouvidos ansiosos de ti.
Os sons da casa
no forno que uiva
para nos deliciar
com um bolo ou um assado;
na cama que range
quando viramos nela o nosso cansaço
ou perpetuamos o nosso abraço
até ao êxtase do amor;
no rádio, na televisão...
Os sons da rua,
dos carros, comboios, bicicletas…
dos cães exigindo atenção
ou pedindo a refeição;
do carrinho cortando a relva;
do peixe ou carne
grelhando na brasa quente.
Os sons do silêncio,
dos momentos em que
precisamos estar a sós connosco,
pensar no futuro,
reviver o passado.
Estes são os sons da minha vida!
                                                      Célia Gil

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Limpeza à alma!

Célia Gil

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Urge fazer uma limpeza a fundo
ao que somos,
àquilo em que nos tornámos.
É preciso começar por esvaziar
gavetas poeirentas de memórias
que nos impedem de sermos felizes.
Arejar as memórias...
Libertarmo-nos das que nos fazem mal,
guardar bem ao fundo as que doem,
deixar à mão as que alentam
e nos dão força para prosseguir.
Há ainda os sentimentos
que é preciso sacudir,
qual tapete poeirento,
os maus sentimentos.
Outros, como o receio e o medo,
podemos reciclá-los,
torná-los em confiança e determinação.
E, com tudo limpo
do que nos faz mal
e faz mal aos outros,
sentir-nos-emos mais leves
e enfrentaremos a vida
com mais convicção!
                           Célia Gil


sábado, 14 de janeiro de 2012

Conceitos invertidos

Célia Gil
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Estende a tua mão,
eles precisam de ti.
Tu que vives no aconchego
da estabilidade;
tu que tens todos os dias
uma refeição pronta;
tu que tens a dádiva da água
que bebes quando te apetece.
Tu, sim, tu!
Observa o mundo que te rodeia,
os muitos refugiados
em condições desumanas,
sem pão, sem água, sem dignidade.
Não te queixes,
não sobrevalorizes os teus problemas,
são tão ínfimos quando olhas melhor,
quando te dispões a ver o mundo
sem o véu da fantasia,
sem a metáfora da vida!
E é nesse disfemismo real
que encontras razões
para perceberes que és feliz,
quando, para tantos,
a felicidade é a sobrevivência,
é mais um dia de vida.
Não te queixes
e estende a tua mão
a quem por ela suplica.
Não te digas o ser mais infeliz
à face da terra!
                             Célia Gil




segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Histórias de embalar

Célia Gil
(imagem do google)

Sussurra ao ouvido histórias antigas,
Feitas de sonhos, amor, ilusões,
Histórias que enaltecem emoções
Histórias que nunca mais serão esquecidas.

Embala-me ao som de antigas canções,
Até me lembrar de quem fui um dia
Um dia em que fui criança e magia
Quando acreditava nas orações.

E quando o sono tranquilo vier
Deixa-me dormir pela eternidade
Acreditar em tudo o que eu quiser

Para que o sonho se torne verdade
Bebendo o néctar de um licor qualquer
Renascendo a crença na realidade.
                                            Célia Gil


sábado, 7 de janeiro de 2012

O meu paraíso

Célia Gil

(imagem do google)

Acordo bem cedo.
Raios de sol invadem o quarto
pousando dedos de mel no meu rosto
ainda ensonado nos olhos semi-abertos.
Mas o sol é persistente,
sopra vida nas pálpebras
que acabam abertas num sorriso.
É a vida abrindo os olhos para o dia,
trazendo alento,
prometendo vitórias,
e incutindo fé.
Pelas narinas perfumes da madrugada
vêm chegando das pétalas de flor
do outro lado da janela entreaberta;
e o cântico de pássaros madrugadores
entoam hinos de alegria
nos meus ouvidos sintonizados.

Mas o meu cérebro estraga sempre tudo,
não me permite continuar na letargia
de um paraíso ao amanhecer.
E começa a entoar rígidas ordens de comando:
levantar, seguir a rotina, trabalhar…
Trabalhar sem se ser reconhecido,
passar pela vida mais um dia
sem deixar marcas impressas no eterno…
Picar o ponto, marcar presença,
impor-se, zangar-se, aborrecer-se,
ouvir falar da crise na TV…

E passo pela vida sem me magoar
porque sei que, ao fim de um dia,
regresso ao paraíso perdido que me aguarda
e para o qual anseio sempre voltar
após um dia de desventuras.
O meu lugar, o lugar dos sonhos,
onde tudo é possível!
                        Célia Gil

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