sábado, 7 de abril de 2012

Nas mãos do destino

Célia Gil

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(imagem do google)

Como pode ser, Deus meu,
como pode a vida desiludir
pessoas boas
no seu simples existir?
Castigo? Não creio!
Seria imerecido!
Prova de resistência e fé?
Não creio!
Ninguém infligiria tamanho sofrimento,
tamanha dor, tamanho tormento,
em prol do reforço da fé!
Distração? Provavelmente!
Se somos feitos à Tua imagem,
Por que exigimos que sejas infalível?
Testar limites? Não creio!
Seria um ato de masoquismo,
de ironia, de sadismo!
Sina do destino? Talvez…
Talvez nasçamos com um destino traçado,
ainda que triste e malfadado
e sejamos marionetas nas suas mãos.
Seremos nós capazes de o fintar,
de o contornar, de o enganar?
Mais tarde ou mais cedo
virá reclamar o que nos designou,
tirar o que o presente nos negou.
De um momento para o outro,
passamos de gente sonhadora
a um farrapo velho
e caímos do pódio
sem a certeza de um chão seguro.
Deixamos de protagonizar a felicidade
e tudo se desmorona.
Os ombros descem
sob o peso da desgraça.
As nossas alegrias
passam a espelhos de medo.
A nossa crença
a revolta e incompreensão.
Tudo é frio, triste, solidão.
Perdemos o norte,
o futuro, a razão.
Somos ínfimos nadas adiados.
                                      Célia Gil

Escrevi este poema ao tomar conhecimento de mais um caso de cancro na família e aproveito este momento de Páscoa para suplicar e orar por todos os doentes oncológicos, para que tenham fé e acreditem que tudo vai passar, mas que saibam que também têm o direito a este grito de revolta! Depois passa a revolta, a mágoa, mas é inevitável! Que Deus dê muita força e coragem para ultrapassar esta provação!


quinta-feira, 5 de abril de 2012

Irremediavelmente humana

Célia Gil

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(imagem do google)



Fico triste comigo
quando não consigo
tolerar a inveja,
quando me revolto
com atitudes incorretas.
Queria ser capaz de ignorar,
simplesmente deixar passar…
Mas não! Sou sensível!
Levo desaforos para casa,
carrego ofensas com tristeza
e fico amargurada,
magoada, angustiada.
Demoro a reagir,
a impedir-me de me sentir
desiludida com as pessoas,
magoo-me em demasia,
levo tudo muito a peito
e fico a sós com as minhas lágrimas.

Quem me dera ser
aquela força da natureza
que explode mas logo esquece,
que é capaz de ultrapassar,
esquecer sem sofrer,
ignorar ainda que sem perdoar…

Mas sou assim…
Demasiado humana
para ser fria como uma rocha,
impenetrável como o nevoeiro,
sólida como a urze
que resiste às nortadas.

Sou frágil, demasiado frágil,
Sensível, demasiado sensível,
Humana, irremediavelmente humana. 
                                           Célia Gil


terça-feira, 3 de abril de 2012

Cantar a vida

Célia Gil

(imagem do google)

Se a voz não me doer
não me cansarei
de te dizer
que eu quero,
quero muito mais da vida,
quero tudo o que ela
me poderá dar.
Quero o amor
puro e verdadeiro,
o amor eterno
até ao dia derradeiro.
Quero a paz,
a paz no mundo,
quero o sonhar,
o sonhar profundo.
Quero a saúde
a saúde de ferro,
quero a amizade verdadeira
que a falsa não, não quero.
Não quero o poder
que se usa para ofender,
não quero a arrogância,
a inveja e a ganância.
O que eu quero,
o que eu quero mesmo,
o que eu espero,
o que eu espero mesmo
é viver a vida intensamente
numa felicidade permanente,
e poder compartilhá-la,
doá-la, desperdiçá-la…
Mas que a vida me abrace,
nos seus braços me enlace,
que eu quero cantá-la
até que a voz me doa.
                         Célia Gil

quinta-feira, 29 de março de 2012

Recuperar a gargalhada

Célia Gil

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Onde está a gargalhada genuína
da criança que fui um dia?
Quando foi que o sorriso deixou
de se delinear nos meus lábios?
Não sei ao certo,
mas foi há muito,
há tanto tempo
que nem me recordo bem…
Esse sorriso é hoje imagem difusa,
tela de contornos envelhecidos,
memórias perdidas no tempo…
Mas tenho saudades
do tempo em que a minha alma
tinha razões para sorrir,
em que os meus olhos
tinham o brilho das gargalhadas,
em que todo o meu rosto
era um reflexo de alegria.
Quem me dera que a mágoa
fosse como as palavras,
que a pudesse apagar…
Mas ela entra,
apodera-se de nós
e vem para ficar
escrita na linha da vida
a tinta permanente.

Há que boicotar a mágoa,
apagá-la definitivamente
e procurar o sorriso perdido.
Só assim a gargalhada
voltará a desenhar no rosto
a paz e a felicidade perdidas.
Quem sabe, quem sabe…
                               Célia Gil

segunda-feira, 26 de março de 2012

Aliteração da borboleta

Célia Gil

(imagem do google)

Suave, solta, sinuosa,
a borboleta bamboleia-se
em celestiais céus cinza.
Soltas asas desenvoltas
contornam canteiros,
refrescam-se em frescas flores,
toque de tule translúcido
que roça rente ao rosto
iluminando a alma leve,
bela borboleta breve…
                               Célia Gil


sábado, 24 de março de 2012

Sonhos (con)sentidos

Célia Gil
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Não me digas quem devo ser,
qual o melhor caminho a seguir,
como sou quero permanecer,
pronta a sonhar, a me iludir.

Não me digas que não acredite,
que não ouça o que quero ouvir,
que não me entregue, não me dedique
e que não tenho razões para sorrir.

Por que ousas desmoronar
os castelos que sempre erigi?
Como ousas destronar
os sentimentos que eu ergui?

Ante tuas feras realidades
tapo fortemente os meus ouvidos
ignoro de todo essas verdades
e sigo o que me dizem os meus sentidos.
                                                  Célia Gil

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