
(imagem do google)
Como pode ser, Deus meu,
como pode a vida desiludir
pessoas boas
no seu simples existir?
Castigo? Não creio!
Seria imerecido!
Prova de resistência e fé?
Não creio!
Ninguém infligiria tamanho sofrimento,
tamanha dor, tamanho tormento,
em prol do reforço da fé!
Distração? Provavelmente!
Se somos feitos à Tua imagem,
Por que exigimos que sejas infalível?
Testar limites? Não creio!
Seria um ato de masoquismo,
de ironia, de sadismo!
Sina do destino? Talvez…
Talvez nasçamos com um destino traçado,
ainda que triste e malfadado
e sejamos marionetas nas suas mãos.
Seremos nós capazes de o fintar,
de o contornar, de o enganar?
Mais tarde ou mais cedo
virá reclamar o que nos designou,
tirar o que o presente nos negou.
De um momento para o outro,
passamos de gente sonhadora
a um farrapo velho
e caímos do pódio
sem a certeza de um chão seguro.
Deixamos de protagonizar a felicidade
e tudo se desmorona.
Os ombros descem
sob o peso da desgraça.
As nossas alegrias
passam a espelhos de medo.
A nossa crença
a revolta e incompreensão.
Tudo é frio, triste, solidão.
Perdemos o norte,
o futuro, a razão.
Somos ínfimos nadas adiados.
Célia Gil
Escrevi este poema ao tomar conhecimento de mais um caso de cancro na família e aproveito este momento de Páscoa para suplicar e orar por todos os doentes oncológicos, para que tenham fé e acreditem que tudo vai passar, mas que saibam que também têm o direito a este grito de revolta! Depois passa a revolta, a mágoa, mas é inevitável! Que Deus dê muita força e coragem para ultrapassar esta provação!