(imagem do google)
com retalhos de árvores
que teimam em recortar
nevoeiros cerrados.
Há névoas que se estendem
e que o tornam sombrio.
Bebo a inspiração
dessa fusão verde-cinza.
Por um lado, o verde
que rompe levemente
caminhos de luz
em nevoeiros lusco-fusco.
Verdes de cheiro a pinho
projetados como miragens
entre as paredes cinza do bosque.
Promessas sussurradas
por pequenas folhas atrevidas
qual veio de água
que espera ser encontrado
em terra arenosa e seca.
Por outro lado, o cinza dominante
que recorta monstros imaginários
no medo humano,
engole e absorve
o tímido verde,
as frágeis folhas ousadas
que teimam invadir os seus domínios.
mas, no meu sonho,
toco essas folhas insistentes,
sinto-lhes o cheiro húmido.
De repente, de tenras
partem, frágeis, nas minhas mãos,
caem no escuro chão
onde deixo de as vislumbrar.
Sinto o sonho
escorrer-me por entre os dedos
e os olhos fecham-se em nevoeiro cerrado.
Célia Gil
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